Uma viagem de comboio
Eu estava estranhamente curioso, em saber como ela encarava a vida, como era o seu dia-a-dia, como ficou cega, etc. Mas tinha vergonha de a questionar e medo da sua reacção. Mas com o decorrer da viagem ganham coragem e comecei a meter a meter conversa com a senhora. Enquanto o comboio passava entre uma intensa, diversificada e vegetação, eu estava a uma conversa bastante interessante. Em que a Clara, que era o nome da senhora cega me contava coisas da vida dela. A Clara contou-me que tinha ficado cega devido à diabetes. Com as lágrimas a correr-lhe pelo rosto Clara disse-me que os primeiros tempos da sua cegueira foram os piores da sua vida, pois gostava de passear e de apreciar as passagens, e agora isso e impossível. Mas o que mais lhe custou foi passar a depender sempre de alguém, visto que antes era totalmente independente. Também me contou que neste momento anda a aprender Braille, que é para poder ler, porque é uma coisa que Clara adora.
A coisa que mais me tocou foi uma frase que ela me disse “ Pelo menos tive o prazer de ver o mundo como ele é, há outros que nascem cegos e não sabem quanto fantástico é ver “.